Para Marília Fontes, sócia da empresa de análise Nord Research, o melhor investimento conservador hoje é o papel com vencimento em 2025 que rende 110% do CDI — na sexta-feira, antes das medidas de Tesouro e BC, o retorno embutido era de 119%. “Que CDB de banco de primeira linha traria um retorno desses? O investidor teria que ir para papéis mais arriscados”, diz.
Quando se olha o universo de renda fixa, há prêmios em toda a curva de juros, em taxas nominais ou reais, diz Cal Constantino, da Santander Asset Management. As projeções da casa apontam a Selic estável neste ano, subindo a 2,5% no fim de 2021. “O BC deixa claro que a intenção é manter os juros por mais tempo, desde que a economia não seja desviada da rota.” O cenário base da gestora é que a agenda de reformas será retomada e que as pressões inflacionárias restrinjam-se ao curto prazo.
Para o economista Marcelo d’Agosto, não vai ser o deságio nos títulos pós-fixados que vai animar o investidor a financiar o governo. Marília, da Nord, cita que entre o melhor preço da LFT, em 10 de setembro, e o pior, em 7 de outubro, o prejuízo era de 1,32%. Já na cotação de ontem, a perda caiu para 0,55%.

Na renda fixa em geral, ela vê poucas oportunidades porque o juro caiu demais e o risco de o país adotar estratégias ruins do lado fiscal é grande. “A Selic já estava muito baixa e as taxas longas também, a assimetria era ruim em prefixados ou em inflação mesmo antes da pandemia”, diz. Com a crise sanitária e econômica, o governo reagiu com um estímulo gigantesco, só comparável a economias de alta renda. “O Brasil não tinha condição de fazer [o estímulo] fiscal que fez. Depois da Previdência que outra reforma vai fazer para economizar R$ 800 bilhões?”
Embora a desvalorização de fundos DI e do Tesouro Selic seja inusitada, o barulho é mais pela surpresa do que pela magnitude, diz Camilla Dolle, analista de renda fixa da XP Investimentos. Ela vê, contudo, prêmios interessantes em títulos bancários e no Tesouro IPCA+. “Apesar dos ruídos, é o melhor risco de crédito do país.”